Derivação implícita: exemplos resolvidos e teste das tangentes

A equação descreve uma circunferência. Ela não apresenta como uma única fórmula em função de : nas metades superior e inferior, o mesmo valor de geralmente corresponde a dois valores diferentes de . Mesmo assim, podemos calcular a inclinação em um ponto de qualquer uma das metades. Na derivação implícita, derivamos a relação inteira e tratamos , perto do ponto escolhido, como uma função de . Vamos mostrar cada passo, conferir os pontos na equação original e identificar exatamente onde a fórmula usual da inclinação deixa de funcionar.
Se você quiser revisar primeiro o significado da inclinação, leia nosso guia de derivadas. Os exemplos da regra da cadeia explicam por que aparece um fator extra ao derivar uma expressão que contém . Aqui usamos essas regras em equações com as duas variáveis.
O que muda quando y não está isolado?
Para uma função explícita como , a derivada é . Em uma relação como , as duas coordenadas mudam enquanto um ponto percorre a curva. Onde a curva pode ser escrita localmente como , o termo significa . Pela regra da cadeia,
É fácil esquecer o fator . Ele não é apenas uma convenção de escrita: o quadrado muda porque sua entrada muda, e muda com . Pelo mesmo motivo, e . Um termo misto como exige também a regra do produto: . A explicação de Paul Garrett no Math Insight mostra essas duas regras trabalhando juntas.
O método é o mesmo em todos os exemplos:
- Confira se o ponto pedido satisfaz a equação original. Não há inclinação daquela curva em um ponto que está fora dela.
- Derive cada termo em relação a . Acrescente sempre que o termo derivado depender de .
- Reúna os termos com , coloque esse fator em evidência e divida apenas quando o outro fator for diferente de zero.
- Substitua as coordenadas e confira a inclinação com o formato local da curva, outro ramo ou a equação da tangente.
Não substitua o ponto antes de derivar. Isso transforma coordenadas variáveis em constantes e apaga a mudança que você quer medir. Guarde também a equação antes da divisão: ela pode revelar uma tangente vertical quando a fórmula em forma de fração fica com denominador zero.
Exemplo 1: circunferência, tangente não vertical
Encontre a inclinação de em . Primeiro, confira o ponto: . Ele pertence à circunferência. Derive os dois lados, tratando como :
Passe para o outro lado e divida por , desde que :
Em , a inclinação é . A reta tangente que passa pelo ponto é . Ao avançar um pouco para a direita na metade superior, a altura cai, então o sinal negativo faz sentido. Podemos conferir sem depender dos passos da derivação implícita: o ramo superior é para , cuja derivada é . Em , ela também dá . O ramo inferior tem outro e, portanto, outra inclinação para o mesmo .
Essa verificação de ramos importa porque a circunferência não define uma única função global . A derivação implícita fornece a inclinação do ramo local que passa pelo ponto especificado. Não podemos descartar a coordenada quando vários pontos compartilham o mesmo .
Uma curva, dois tipos de tangente
Agora mantenha a mesma circunferência, mas passe para . Esse ponto também está na curva, pois . Substituí-lo em seria dividir por zero. Seria um erro anunciar uma inclinação numérica ou dizer que a curva não tem tangente. Volte à equação antes de dividir:
Em , uma derivada finita teria de satisfazer . Nenhum valor finito satisfaz isso. Geometricamente, a circunferência chega ao ponto mais à direita e volta. Sua tangente ali é a reta vertical , com indefinida. A curva continua lisa; ela apenas não pode ser representada localmente como uma função derivável de nesse ponto.
| Mesma curva | Ponto na equação | Fórmula dividida | Tangente |
|---|---|---|---|
| , pois | |||
| Inválida: | Reta vertical |
Há outra forma de conferir. Trate como uma função local de : , então quando . Em , . Quando muda um pouco, muda apenas em ordem superior, exatamente a imagem de uma tangente vertical. Em os papéis se invertem: e a tangente é horizontal. Essas observações descrevem a geometria, não autorizam divisão por zero em nenhuma fórmula.
Exemplo 2: um produto e três termos
Calcule para em . A conferência inicial dá . Derive termo a termo. produz ; o produto produz ; e produz :
Reúna os termos com a derivada e coloque o fator comum em evidência:
Em , o numerador é e o denominador é ; portanto, a inclinação vale . A tangente é . Substitua o resultado diretamente na equação derivada, ainda sem dividir: . Essa conferência testa tanto a parcela da regra do produto quanto a fração final. Se você derivasse apenas como , perderia o termo isolado e obteria a inclinação errada.
A condição faz parte da resposta, mesmo que seja satisfeita no ponto pedido. Se o denominador desaparecer em outro ponto da curva, será preciso estudar a equação não dividida separadamente, como fizemos com a circunferência. Uma única fração simbólica não responde a todas as perguntas sobre tangentes.
Exemplo 3: uma relação cúbica
Considere em . Confira: . Derive usando a regra da cadeia no cubo e a regra do produto em :
Colocando em evidência,
Em o valor é , então a tangente é . Substitua a resposta na equação derivada: . Esse teste rápido detecta um fator três esquecido ou um erro de sinal. Ele não demonstra sozinho a derivação inteira, mas é uma boa conferência final.
Diagnóstico de erro: faltou o fator da regra da cadeia
Imagine que alguém derive como . Essa não é uma equação para a inclinação da tangente. Ela trata como se , embora a circunferência determine como responde à mudança de . Em , isso levaria a , uma contradição imediata. A derivada correta, , dá .
Outra armadilha é dividir primeiro e esquecer a condição. A fórmula vale onde ; ela não faz os extremos desaparecerem. Mantenha juntas a relação original, a conferência do ponto e a equação derivada antes da divisão. Esse conjunto mostra o que acontece onde a fração não está definida.
Se as quantidades mudam com o tempo, em vez de , a mesma ideia aparece nas taxas relacionadas: use as derivadas temporais adequadas e acompanhe as unidades. Você pode praticar as regras necessárias no tópico de derivadas do Math Zen. Como autoteste, refaça o exemplo 2 com outro ponto válido, mas confira primeiro que ele satisfaz a equação.
Perguntas frequentes
Por que toda derivada de precisa de ? Porque muda com ao longo do ramo local. A regra da cadeia multiplica a derivada em relação a por . Por exemplo, .
Posso isolar primeiro? Sim, se isso for conveniente e se você escolher o ramo e o domínio corretos. A metade superior da circunferência dá a mesma inclinação em . Isolar pode ser difícil ou produzir vários ramos; por isso é útil derivar diretamente a relação.
Uma indefinida sempre indica tangente vertical? Não. Uma fração indefinida pede que você examine a curva original e a equação derivada não dividida. Em nessa circunferência, a geometria e confirmam a tangente vertical. Pontos singulares de outras curvas podem se comportar de modo diferente.
Qual é a conferência mais rápida depois de resolver? Verifique se o ponto pertence à curva original, substitua a inclinação na equação derivada sem dividir e confira cada denominador usado para isolar . Essas três verificações encontram erros diferentes.


