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Derivação implícita: exemplos resolvidos e teste das tangentes

29 de outubro de 20268 min de leitura
Derivação implícita: exemplos resolvidos e teste das tangentes

A equação x2+y2=25x^2+y^2=25 descreve uma circunferência. Ela não apresenta yy como uma única fórmula em função de xx: nas metades superior e inferior, o mesmo valor de xx geralmente corresponde a dois valores diferentes de yy. Mesmo assim, podemos calcular a inclinação em um ponto de qualquer uma das metades. Na derivação implícita, derivamos a relação inteira e tratamos yy, perto do ponto escolhido, como uma função de xx. Vamos mostrar cada passo, conferir os pontos na equação original e identificar exatamente onde a fórmula usual da inclinação deixa de funcionar.

Se você quiser revisar primeiro o significado da inclinação, leia nosso guia de derivadas. Os exemplos da regra da cadeia explicam por que aparece um fator extra ao derivar uma expressão que contém yy. Aqui usamos essas regras em equações com as duas variáveis.

O que muda quando y não está isolado?

Para uma função explícita como y=x2+1y=x^2+1, a derivada é dy/dx=2xdy/dx=2x. Em uma relação como x2+y2=25x^2+y^2=25, as duas coordenadas mudam enquanto um ponto percorre a curva. Onde a curva pode ser escrita localmente como y(x)y(x), o termo y2y^2 significa (y(x))2(y(x))^2. Pela regra da cadeia,

ddx(y2)=2ydydx.\frac{d}{dx}(y^2)=2y\frac{dy}{dx}.

É fácil esquecer o fator dy/dxdy/dx. Ele não é apenas uma convenção de escrita: o quadrado muda porque sua entrada yy muda, e yy muda com xx. Pelo mesmo motivo, d(y3)/dx=3y2(dy/dx)d(y^3)/dx=3y^2(dy/dx) e d(sin⁡y)/dx=cos⁡y(dy/dx)d(\sin y)/dx=\cos y(dy/dx). Um termo misto como xyxy exige também a regra do produto: d(xy)/dx=y+x(dy/dx)d(xy)/dx=y+x(dy/dx). A explicação de Paul Garrett no Math Insight mostra essas duas regras trabalhando juntas.

O método é o mesmo em todos os exemplos:

  1. Confira se o ponto pedido satisfaz a equação original. Não há inclinação daquela curva em um ponto que está fora dela.
  2. Derive cada termo em relação a xx. Acrescente dy/dxdy/dx sempre que o termo derivado depender de yy.
  3. Reúna os termos com dy/dxdy/dx, coloque esse fator em evidência e divida apenas quando o outro fator for diferente de zero.
  4. Substitua as coordenadas e confira a inclinação com o formato local da curva, outro ramo ou a equação da tangente.

Não substitua o ponto antes de derivar. Isso transforma coordenadas variáveis em constantes e apaga a mudança que você quer medir. Guarde também a equação antes da divisão: ela pode revelar uma tangente vertical quando a fórmula em forma de fração fica com denominador zero.

Exemplo 1: circunferência, tangente não vertical

Encontre a inclinação de x2+y2=25x^2+y^2=25 em (3,4)(3,4). Primeiro, confira o ponto: 32+42=9+16=253^2+4^2=9+16=25. Ele pertence à circunferência. Derive os dois lados, tratando yy como y(x)y(x):

2x+2ydydx=0.2x+2y\frac{dy}{dx}=0.

Passe 2x2x para o outro lado e divida por 2y2y, desde que y≠0y\ne0:

dydx=−xy,y≠0.\frac{dy}{dx}=-\frac{x}{y},\qquad y\ne0.

Em (3,4)(3,4), a inclinação é −3/4-3/4. A reta tangente que passa pelo ponto é y−4=−(3/4)(x−3)y-4=-(3/4)(x-3). Ao avançar um pouco para a direita na metade superior, a altura cai, então o sinal negativo faz sentido. Podemos conferir sem depender dos passos da derivação implícita: o ramo superior é y=25−x2y=\sqrt{25-x^2} para −5<x<5-5<x<5, cuja derivada é −x/25−x2-x/\sqrt{25-x^2}. Em x=3x=3, ela também dá −3/4-3/4. O ramo inferior tem outro yy e, portanto, outra inclinação para o mesmo xx.

Essa verificação de ramos importa porque a circunferência não define uma única função global y(x)y(x). A derivação implícita fornece a inclinação do ramo local que passa pelo ponto especificado. Não podemos descartar a coordenada yy quando vários pontos compartilham o mesmo xx.

Uma curva, dois tipos de tangente

Agora mantenha a mesma circunferência, mas passe para (5,0)(5,0). Esse ponto também está na curva, pois 52+02=255^2+0^2=25. Substituí-lo em −x/y-x/y seria dividir por zero. Seria um erro anunciar uma inclinação numérica ou dizer que a curva não tem tangente. Volte à equação antes de dividir:

2x+2ydydx=0.2x+2y\frac{dy}{dx}=0.

Em (5,0)(5,0), uma derivada finita teria de satisfazer 10+0(dy/dx)=010+0(dy/dx)=0. Nenhum valor finito satisfaz isso. Geometricamente, a circunferência chega ao ponto mais à direita e volta. Sua tangente ali é a reta vertical x=5x=5, com dy/dxdy/dx indefinida. A curva continua lisa; ela apenas não pode ser representada localmente como uma função derivável de xx nesse ponto.

Mesma curvaPonto na equaçãoFórmula divididaTangente
(3,4)(3,4)9+16=259+16=25−3/4-3/4, pois y≠0y\ne0y−4=−(3/4)(x−3)y-4=-(3/4)(x-3)
(5,0)(5,0)25+0=2525+0=25Inválida: y=0y=0Reta vertical x=5x=5

Há outra forma de conferir. Trate xx como uma função local de yy: 2x(dx/dy)+2y=02x(dx/dy)+2y=0, então dx/dy=−y/xdx/dy=-y/x quando x≠0x\ne0. Em (5,0)(5,0), dx/dy=0dx/dy=0. Quando yy muda um pouco, xx muda apenas em ordem superior, exatamente a imagem de uma tangente vertical. Em (0,5)(0,5) os papéis se invertem: dy/dx=0dy/dx=0 e a tangente é horizontal. Essas observações descrevem a geometria, não autorizam divisão por zero em nenhuma fórmula.

Exemplo 2: um produto e três termos

Calcule dy/dxdy/dx para x2+xy+y2=7x^2+xy+y^2=7 em (1,2)(1,2). A conferência inicial dá 1+2+4=71+2+4=7. Derive termo a termo. x2x^2 produz 2x2x; o produto xyxy produz y+x(dy/dx)y+x(dy/dx); e y2y^2 produz 2y(dy/dx)2y(dy/dx):

2x+y+xdydx+2ydydx=0.2x+y+x\frac{dy}{dx}+2y\frac{dy}{dx}=0.

Reúna os termos com a derivada e coloque o fator comum em evidência:

(x+2y)dydx=−(2x+y),dydx=−2x+yx+2yse x+2y≠0.(x+2y)\frac{dy}{dx}=-(2x+y),\qquad \frac{dy}{dx}=-\frac{2x+y}{x+2y}\quad\text{se }x+2y\ne0.

Em (1,2)(1,2), o numerador é 44 e o denominador é 55; portanto, a inclinação vale −4/5-4/5. A tangente é y−2=−(4/5)(x−1)y-2=-(4/5)(x-1). Substitua o resultado diretamente na equação derivada, ainda sem dividir: 2(1)+2+1(−4/5)+2(2)(−4/5)=4−4=02(1)+2+1(-4/5)+2(2)(-4/5)=4-4=0. Essa conferência testa tanto a parcela da regra do produto quanto a fração final. Se você derivasse xyxy apenas como x(dy/dx)x(dy/dx), perderia o termo isolado yy e obteria a inclinação errada.

A condição x+2y≠0x+2y\ne0 faz parte da resposta, mesmo que seja satisfeita no ponto pedido. Se o denominador desaparecer em outro ponto da curva, será preciso estudar a equação não dividida separadamente, como fizemos com a circunferência. Uma única fração simbólica não responde a todas as perguntas sobre tangentes.

Exemplo 3: uma relação cúbica

Considere y3+xy=2y^3+xy=2 em (1,1)(1,1). Confira: 13+1⋅1=21^3+1\cdot1=2. Derive usando a regra da cadeia no cubo e a regra do produto em xyxy:

3y2dydx+y+xdydx=0.3y^2\frac{dy}{dx}+y+x\frac{dy}{dx}=0.

Colocando em evidência,

(3y2+x)dydx=−y,dydx=−y3y2+xse 3y2+x≠0.(3y^2+x)\frac{dy}{dx}=-y,\qquad \frac{dy}{dx}=-\frac{y}{3y^2+x}\quad\text{se }3y^2+x\ne0.

Em (1,1)(1,1) o valor é −1/4-1/4, então a tangente é y−1=−(1/4)(x−1)y-1=-(1/4)(x-1). Substitua a resposta na equação derivada: 3(−1/4)+1+(−1/4)=03(-1/4)+1+(-1/4)=0. Esse teste rápido detecta um fator três esquecido ou um erro de sinal. Ele não demonstra sozinho a derivação inteira, mas é uma boa conferência final.

Diagnóstico de erro: faltou o fator da regra da cadeia

Imagine que alguém derive x2+y2=25x^2+y^2=25 como 2x+2y=02x+2y=0. Essa não é uma equação para a inclinação da tangente. Ela trata yy como se dy/dx=1dy/dx=1, embora a circunferência determine como yy responde à mudança de xx. Em (3,4)(3,4), isso levaria a 6+8=06+8=0, uma contradição imediata. A derivada correta, 2x+2y(dy/dx)=02x+2y(dy/dx)=0, dá 6+8(−3/4)=06+8(-3/4)=0.

Outra armadilha é dividir primeiro e esquecer a condição. A fórmula −x/y-x/y vale onde y≠0y\ne0; ela não faz os extremos (±5,0)(\pm5,0) desaparecerem. Mantenha juntas a relação original, a conferência do ponto e a equação derivada antes da divisão. Esse conjunto mostra o que acontece onde a fração não está definida.

Se as quantidades mudam com o tempo, em vez de xx, a mesma ideia aparece nas taxas relacionadas: use as derivadas temporais adequadas e acompanhe as unidades. Você pode praticar as regras necessárias no tópico de derivadas do Math Zen. Como autoteste, refaça o exemplo 2 com outro ponto válido, mas confira primeiro que ele satisfaz a equação.

Perguntas frequentes

Por que toda derivada de yy precisa de dy/dxdy/dx? Porque yy muda com xx ao longo do ramo local. A regra da cadeia multiplica a derivada em relação a yy por dy/dxdy/dx. Por exemplo, d(y3)/dx=3y2(dy/dx)d(y^3)/dx=3y^2(dy/dx).

Posso isolar yy primeiro? Sim, se isso for conveniente e se você escolher o ramo e o domínio corretos. A metade superior da circunferência dá a mesma inclinação em (3,4)(3,4). Isolar yy pode ser difícil ou produzir vários ramos; por isso é útil derivar diretamente a relação.

Uma dy/dxdy/dx indefinida sempre indica tangente vertical? Não. Uma fração indefinida pede que você examine a curva original e a equação derivada não dividida. Em (5,0)(5,0) nessa circunferência, a geometria e dx/dy=0dx/dy=0 confirmam a tangente vertical. Pontos singulares de outras curvas podem se comportar de modo diferente.

Qual é a conferência mais rápida depois de resolver? Verifique se o ponto pertence à curva original, substitua a inclinação na equação derivada sem dividir e confira cada denominador usado para isolar dy/dxdy/dx. Essas três verificações encontram erros diferentes.

Coloque em prática